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Princípios de Tratamento das Dependências Químicas

1. Não existe nenhum tratamento isolado, nenhuma metodologia, abordagem terapêutica ou filosofia de Intervenção que seja eficaz para todos os casos.

É importante que a estrutura física, os serviços e a intervenção terapêutica respeitem as especificidades do caso.



2. O tratamento deve ser sempre de fácil acessibilidade.

Como as pessoas adoecidas pelo abuso e/ou dependência de drogas quase sempre hesitam em iniciar o tratamento, constitui-se em importante estratégia terapêutica a disponibilidade de atendimento do serviço.



3. O tratamento efetivo deve atender a diversidade de necessidades do indvíduo e não somente o abuso de drogas.

Para ser efetivo, o tratamento deve estar focado no abuso de drogas, porém, deve também priorizar os problemas de saúde clínica, emocional, social e familiar do paciente.



4. A proposta terapêutica do paciente deve ser avaliada continuamente e modificada quando necessária, para estar sempre em consonância com a demanda e o momento do paciente.

Um paciente pode requerer combinações e serviços componentes que variem durante o curso do tratamento, podendo necessitar de orientação, psicoterapia, medicamentos, cuidados médicos, terapia familiar, orientação vocacional e serviços legais. O tratamento deve ser adequado a idade, sexo, raça e a cultura do paciente.



5. O período adequado do tratamento e a assiduidade do paciente são fatores determinantes na busca da efetividade.

A entrevista e a avaliação inicial e multidiciplinar constitui-se em um fator relevante para definição da proposta terapêutica e do período de tratamento.



6. Terapia individual e/ou de grupo, a orientação e o acompanhamento familiar, assim como outras abordagens comportamentais são componentes essenciais do tratamento efetivo.

Durante o processo terapêutico os pacientes desenvolvem sua motivação, criam estratégias para evitar o uso de drogas, substituindo atividades relacionadas ao uso de drogas por atividades produtivas e construtivas, sem drogas, desenvolvem sua capacidade de enfrentamento e busca de solução de seus problemas. A terapia também promove ganhos na qualidade dos relacionamentos interpessoais na família e sociedade.



7. Em muitos casos, a avaliação, o acompanhamento psiquiátrico e o suporte medicamentoso são muito importantes, especialmente quando combinados com o acompanhamento psicoterápico.

Enfrentar o conjunto de desconfortos físicos e emocionais que emergem no quadro de abstinência do abuso de drogas é, em grande parte dos casos, muito sofrido, e quase sempre os episódios de recaída são em decorrência de tais sintomas. Neste sentido o acompanhamento psiquiátrico e o suporte medicamentoso se constituem fundamentais nesta fase, contribuindo substancialmente para a minimização do quadro e contribuído para manutenção da abstinência.



8. Dependentes químicos com quadro de comorbidades psiquiátricas devem receber tratamento integrado.

Substancias de abuso que tem surgido nos últimos anos, temos nos deparado cada vez mais, com transtornos psiquiátricos associados e/ou induzido pelo uso de drogas. As comorbidades devem ser tratadas de forma integrada ao tratamento da dependência química.



9. A desintoxicação orgânica é a primeira fase do processo de tratamento das dependências químicas e, por si só, não se constitui em tratamento efetivo.

A desintoxicação clinica trata o conjunto de desconfortos físicos e emocionais da abstinência e, de certa forma, prepara o paciente para imersão em um processo terapêutico efetivo.



10. O tratamento não necessita ser voluntário para ser efetivo.

A motivação para o tratamento se constitui em um fator importante, porém, em alguns casos perdas e/ou sansões no contexto profissional, conjugal, familiar e judicial podem quebrar significativamente a resistência e promover a motivação para adesão e manutenção do tratamento por parte do paciente.



11. A possibilidade de uso de drogas durante o tratamento deve ser continuamente monitorada.

A intercorrência mais comum no processo de tratamento da dependência química é o lapso e as recaídas. Neste sentido, o monitoramento da abstinência através de exames toxicológicos para detecção do uso de drogas se constitui em um possível limite para o paciente, em uma percepção real para o profissional e, por vezes, em um instrumento facilitador no resgate da credibilidade e da confiança do paciente junto a seus familiares e a equipe técnica responsável pelo caso.



12. Os programas de tratamento devem incluir investigação de testes de HIV/AIDS, hepatite B e C, tuberculose e outras doenças crônicas e/ou infecto contagiosas. Quanto mais amplo e profundo for o conhecimento do estado clínico dos pacientes, melhor e mais efetiva será a intervenção clínica e psicoterápica.

Além disso, a promoção da consciência de sua doença e a modificação de comportamento por parte do paciente auxiliará sobremaneira as pessoas infectadas a lidar com sua enfermidade e evitar a contaminação de outras pessoas.



13.- O tratamento da dependência química pode ser um processo de longo prazo, frequentemente requer várias tentativas de tratamento.

outras enfermidades a recidiva nos casos de dependência química pode ocorrer durante e/ou após o tratamento. Os pacientes, dependendo do tipo de droga, do tempo de uso e da representatividade existencial desta substância para ele, podem necessitar de períodos prolongados de tratamento.

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A Postura Familiar perante ao Abuso de Drogas

É muito comum ouvirmos afirmações do tipo: Eu nunca pensei que isso fosse acontecer na minha família!

É claro que ninguém deseja que um membro da família, ou um amigo, venha a se envolver com drogas.

Mas, infelizmente, isto pode acontecer. Principalmente com as proporções epidêmicas que o uso e o abuso das drogas vêm atingindo no mundo inteiro, inclusive aqui, perto de nós.

O problema, muitas vezes, começa na própria família, com drogas lícitas como o álcool, o cigarro, os medicamentos e outros produtos, que aparecem entre as principais causas de morte evitáveis.

O combate pode ser feito por várias ações: a repressão ao tráfico, a redução da produção e, principalmente, pela prevenção, reduzindo o consumo e evitando que as pessoas comecem a consumir. É a ação mais eficaz, sem dúvida, e pode ser praticada por todos nós.

COMO AJUDAR OS FILHOS?

Afeto: Manifestações de carinho e amor são sempre bem vindas. Abrace, beije, incentive os filhos, mesmo em público. Fortaleça os vínculos entre os membros da família, incentivando o clima de afetividade, sinceridade e companheirismo entre todos.

Ambiente: Reduza a influência negativa que possa vir de outros grupos. Faça com que o ambiente familiar seja atrativo e aconchegante. Faça com que seu filho se sinta bem em sua própria casa.

Diálogo: Ache tempo para conversas e consultas frequentes sobre qualquer assunto, reserve um tempo para cada membro da família, mantenha em casa um clima de diálogo franco e aberto.

Converse com seus filhos sobre o consumo de álcool e de outras drogas, mas também sobre demais assuntos que fazem parte de seus interesses.

Exemplo: Álcool e cigarro são drogas lícitas, mas evite consumi-las, se não

quiser estimular os filhos a fazer o mesmo. Viva aquilo que você recomenda aos seus filhos. Mesmo que os contestem ou questionem, terão nos pais os melhores exemplos e guias.

Liberdade: Mais autonomia significa maior capacidade de decisão. Incentive a responsabilidade de cada um. Respeite os valores e os sentimentos de seu filho. Evite criticá-lo o tempo todo.

Modelo: Cuide para que a relação com os filhos seja fundamentada na confiança e no respeito. Isso cria um modelo de comportamento para eles. Os jovens precisam de bons modelos.

Ocupação: Encoraje as atividades criativas e saudáveis de seus filhos, ajude-os a lidar com as pessoas de seu meio, motive-os a tomar

decisões, ensine-os a assumir responsabilidades e estimule-os a desenvolver valores fortes e o senso crítico diante das mais diferentes situações, inclusive das drogas.

Participação: Tome decisões em conjunto, assim todos percebem que suas opiniões e pontos de vista são respeitados.

Presença: Reforce as relações familiares, participe mais das atividades dos filhos. Cresça com seus filhos.

Prevenção: Explique sempre aos filhos quais são os riscos do uso de drogas. Princípios: Evidencie os princípios espirituais, em contraposição aos valores materiais.

Regras Claras: Imponha limites. Quando fizer alguma proibição, não deixe dúvida sobre suas razões. O amor de pai e de mãe precisa ser exigente. Esse amor acompanha, coloca limites, exige comportamentos, orienta respostas, deixa as regras claras e alerta para os sinais de fraqueza. Confie em seus filhos.


EDUCANDO COM VALORES:

A educação dos filhos é uma das tarefas mais importantes que podemos realizar, mas é também aquela para a qual menos nos preparamos. Quase todos aprendemos a ser pais seguindo o exemplo que nos deram nossos próprios pais.

Hoje em dia, a extensão do uso do álcool e de outras drogas a nossos filhos, famílias e comunidades tem uma força que era desconhecida até 30 ou 40 anos.

Sinceramente, somos muitos os que necessitamos de ajuda para enfrentarmos esta temível ameaça à saúde e ao bem estar de nossos filhos. Por sorte,

também temos mais informações sobre o que funciona para prevenir que estes usem drogas.

Como pais, podemos utilizar este progresso em benefício de nossa família.

ENSINANDO PRINCÍPIOS UNIVERSAIS

Cada família tem suas expectativas de conduta que vêm determinadas pelos princípios. Com muita frequência são estes princípios que ajudam nossos filhos a decidir que não tomarão álcool nem outras drogas.

Os princípios sociais, familiares e religiosos são os que dão aos jovens os motivos para dizer “não” e os que os ajudam a manter sua decisão. Provavelmente, você já sabia disto e, certamente, já o havia posto em prática em sua casa. Mas não será demais examinar nossas ações como pais. Algumas maneiras que ajudam a clarear os princípios familiares: Comunicar os princípios abertamente. Falar sobre a razão da importância de princípios como a honestidade, a fidelidade, a integridade, a confiança em si mesmo e a responsabilidade, assim como da utilidade que eles têm para ajudar seus filhos a tomar decisões corretas.

Ensine a seus filhos que cada decisão se baseia em uma decisão anterior, tomada quando se está formando o caráter, pelo que uma boa decisão faz com que seja mais fácil tomar a seguinte. Somos o resultado das escolhas que fizemos em nosso passado.

Reconheça como afeta suas ações o desenvolvimento dos princípios de seus filhos. Os filhos copiam a conduta dos pais. Se os pais fumam os filhos tem mais possibilidades de converter-se em fumantes.

Trate de avaliar como você usa o fumo, o álcool, os remédios receitados e inclusive os que se compram sem receita.

Considere que com suas atitudes e atos pode estar contribuindo à formação da decisão de seus filhos de tomar, ou não, álcool e outras drogas. Isto não significa que, se você costuma beber um pouco de vinho nas refeições, ou a tomar ocasionalmente uma cerveja, precisa deixar de fazê-lo. Os filhos podem entender e aceitar que haja diferenças entre o que podem fazer os adultos, legal e responsavelmente, e o que se torna apropriado e legal para eles.

Deve manter, no entanto, esta distinção com toda clareza. A este respeito, seus filhos não devem intervir em absoluto: não devem preparar seu copo nem trazer-lhe a cerveja. E por mais inofensivo que pareça, não permita que provem uns goles.

Muitos de nós fazemos algumas coisas sem pensar no que significam. É algo normal. Porém, se queremos transmitir a nossos filhos a mensagem correta, convém que sejamos precavidos diante determinadas condutas.

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Conceito de Abuso de Dependência química

A característica essencial da dependência química é a presença de um agrupamento de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos, indicando que o indivíduo continua usando uma determinada substância, apesar de administrar problemas significativos relacionados a ela.

Existe um padrão de auto-administração repetido, que geralmente resulta em tolerância, dependência, comportamento compulsivo de consumo de substância psicoativa e abstinência.

Um diagnóstico de dependência química pode ser aplicado a qualquer classe de substâncias. Os sintomas são similares entre várias substâncias. Embora não seja especificamente relacionada como um critério, a compulsão tende a ser experimentada por todos os indivíduos.

De modo geral, o quadro que os pacientes apresentam ao entrar em uma clínica é de risco para a saúde e/ou de crises em seus papéis produtivos. O paciente revela pouca ou nenhuma capacidade de manter abstinência por si só; há uma redução da função social e interpessoal; e o uso de drogas é parte de um estilo de vida socialmente excludente.

Ainda que a gravidade, o grau ou a duração dos problemas em cada uma dessas áreas estejam sujeitos a variações, todos pacientes com este quadro necessitam de uma clínica de internação para interromper um estilo de vida que gera a autodestruição e/ou leva a distúrbios mentais e de comportamento, prejudicando cada vez mais a qualidade de vida pessoal e familiar.

A dependência química é considerada um transtorno mental e de comportamento em decorrência do uso abusivo de uma ou mais substâncias.

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Abuso de drogas e Transtornos mentais e de comportamento

Não há receita geral ou fórmula mágica para o tratamento das dependências químicas, nem tampouco para a grande população daqueles que sofrem de duplo diagnóstico.

A equipe técnica deverá antes de qualquer intervenção ou orientação, aprofundar ao máximo as informações relacionadas ao caso. Deverá investigar com profundidade e abrangência o histórico pessoal, emocional, familiar e do uso da substância.

A partir desta avaliação, que demanda diversos atendimentos com profissionais das diferentes áreas envolvidas, será possível construir e indicar uma intervenção que respeite as especialidades e as dimensões que construíram e mantém o quadro do paciente, propondo medidas psicossociais e farmacológicas eficazes e seguras para o manejo adequado do caso" e a consequente obtenção de um melhor prognóstico.

É sempre necessário saber se os sintomas de uma doença psiquiátrica iniciaram antes ou depois do abuso de substâncias, como o álcool, cocaína, maconha, opioides dentre outras, assim como se os sintomas da doença psiquiátrica pioram, melhoram ou desaparecem quando o paciente não está usando as substâncias.

Apesar de necessário, é frequentemente muito difícil obter essas respostas, especialmente quando o paciente faz uso diário de substâncias e apresenta uma miríade de sintomas comportamentais.

Durante o tratamento de pessoas portadoras de duplo diagnóstico (dependência/abuso de substâncias e outro quadro psiquiátrico), uma programação adequada e orientada por especialistas deve ser instalada.

Um cuidado especial deve ser dado na escolha de quaisquer medicações para o tratamento de ambas as doenças psiquiátricas, objetivando sempre o melhor resultado terapêutico e a menor incidência de efeitos colaterais e indesejáveis.

Tratamento para pacientes com duplo diagnóstico

Algumas das características de programas altamente estruturados para o tratamento de pacientes que apresentam diagnóstico duplo são apontadas abaixo:

FLEXIBILIDADE do programa: Embora o objetivo do tratamento médico deva ser a abstinência das substâncias psicoativas, alguns desses indivíduos podem apresentar grande dificuldade para cessar o consumo inadequado. Nos casos em que o paciente apresenta um recrudescimento do quadro depressivo, o risco para o consumo de substâncias pode aumentar.

Da mesma forma, se houver uma desestabilização do quadro de humor (em um Transtorno Afetivo Bipolar, por exemplo), o risco de recaídas ou mesmo de consumo intenso de substâncias tende a ser grande. Logo, o programa deve contextualizar cada caso, permitindo condutas individualizadas;

PERSISTÊNCIA: a equipe deve estar disponível para repetir, quantas vezes forem necessárias, as técnicas para evitar o consumo de drogas bem como as situações de risco;

SUPORTE MEDICAMENTOSOS: para pacientes portadores de graves doenças psiquiátricas, o uso de medicações comprovadamente eficazes é imperativo. Nos casos de pacientes com duplo diagnóstico, todos os esforços devem ser lançados para usar medicações que:

- sejam eficazes mesmo a pacientes que estão fazendo uso de substâncias psicoativas,
- não induzam euforia,
- não causem dependência,
- sejam seguras mesmo quando o paciente sofrer alguma recaída.

Existem algumas substâncias psicoativas que, quando usadas por indivíduos fazendo uso de determinados medicamentos, podem aumentar a toxicidade tanto de uma quanto da outra. A interação 'substâncias psicoativas - medicamentos prescritos' deve ser sempre rigorosamente avaliada por equipe especializada.

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Alcool Uso, abuso e Dependência

A utilização do álcool apresenta grande abrangência. Ao analisarmos informações históricas referentes, percebemos que ele desempenhou inúmeras funções, podendo servir de alimento, remédio ou, ainda, sendo empregado em ritos sociais, culturais e religiosos.

Contudo, produz efeitos farmacológicos e tóxicos em vários órgãos do corpo humano e pode ocasionar dependência e cronicidade. Para analisarmos esta questão, é importante que se faça uma diferenciação entre uso, abuso (ou uso nocivo) e a dependência do álcool.

O uso tem como característica ser esporádico/episódico ou para a experimentação. O uso nocivo (ou abuso) acontece quando o consumo de álcool já está ocasionando algum prejuízo ao indivíduo (de ordem psicológica, biológica ou social).

Já a síndrome de dependência do álcool é caracterizada pela saliência do beber (o indivíduo tem como prioridade a ingestão alcoólica em detrimento de outras esferas de sua vida), estreitamento do repertório, aumento da tolerância ao álcool, consumo sem controle (associado a problemas sérios para o usuário), sintomas de abstinência e alívio ou evitação dos sintomas da abstinência pelo aumento da ingestão da bebida.

O álcool pode causar, em curto prazo, perturbações no funcionamento cerebral. Pequenas doses podem ocasionar dificuldades motoras, tempo maior de reação aos estímulos e decréscimos na memória; prejuízos reversíveis quando em sobriedade.

Contudo, o uso prolongado ou em grandes quantidades tem potencial para gerar danos permanentes no tecido cerebral, resultando em prejuízos que persistem mesmo após um longo período de abstinência (National Institute of Health, 2004).

O álcool é considerado um depressor do sistema nervoso central porque, em doses moderadas a altas, deprime os disparos neurais. Com doses moderadas o indivíduo experimenta vários graus de comprometimento das habilidades cognitivas, perceptuais, verbais e motoras.

O aumento da concentração de álcool no sangue torna os efeitos da intoxicação mais intensos, podendo afetar a função do cerebelo, provocando desequilíbrio, dificuldades de coordenação e articulação da fala. Doses mais elevadas podem provocar perda de consciência e, se os níveis sanguíneos atingirem 0,5%, há risco de morte por depressão respiratória (Pinel, 2005; Pliszka, 2004).

A intensidade desses danos varia conforme a quantidade de álcool ingerido, a idade, o gênero, a escolaridade, o histórico familiar de consumo de bebida, exposição neonatal, entre outros fatores.

O uso crônico do álcool pode produzir danos cerebrais como a Síndrome de Wernicke-Korsakoff: transtorno caracterizado por significativa perda de memória, déficits motores e sensoriais, demência, profunda amnésia para eventos recentes e passados, desorientação no tempo e espaço, ausência de insight. Esse transtorno é causado pela deficiência de tiamina (vitamina B1); alguns estudos relataram uma série de lesões subcorticais e atrofia cortical (Edward e colaboradores, 1999; Pinel, 2005; Pliszka, 2004).

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Espiritualidade e Dependência Química

O uso de drogas e a espiritualidade têm uma história curiosamente entrelaçada. Algumas religiões evitam ou proíbem o uso de certas drogas como, por exemplo, o uso de álcool é proibido pelo Islamismo e Mormonismo.

O antigo aforismo “spiritus contra spiritum” insinua uma incompatibilidade mútua entre o álcool e a espiritualidade, ou seja, um combatendo o outro.

A dependência de substâncias é um processo segundo o qual a droga desloca as antigas prioridades, relações e valores, progressivamente, tornando-se a preocupação central da vida de uma pessoa, como uma idolatria.

Por outro lado, várias substâncias foram especificamente usadas como veículos de acesso sagrado, por várias culturas. Entre essas substâncias podemos citar derivados do ácido lisérgico, Psilocybe e vários outros gêneros de cogumelos, cactos como o peyote, contendo mescalina, espécies de erva como a erva do diabo, e muitas outras.

As drogas psicoativas ocupam também um lugar de honra em sacramentos e rituais

de religiões do mundo, por exemplo, o vinho no Judaísmo e Cristianismo, o tabaco em religiões nativas americanas.

Avram Goldstein, cujo trabalho clássico permitiu-nos compreender a ação dos opióides endógenos, estudou também “excitações na música,” a experiência comum da sublimação e os calafrios que ocorrem em momentos previsíveis na música clássica.

Em uma experimentação duplo-cego, concluiu que o naloxone seguramente aboliu essas manifestações, sugerindo que elas são mediadas por endorfinas. Além do mais, a espiritualidade tem sido considerada desde muito tempo como tendo importância central no tratamento de e na recuperação de dependentes. Nas últimas décadas os termos “espiritualidade” e “religião” têm se diferenciado na sua conceituação. É comum, por exemplo, entre os americanos, descreverem-se a si mesmos como “espirituais, mas, não religiosos”.

Analisando essa diferenciação, os psicólogos colocam a espiritualidade como uma característica dos indivíduos, um complexo multidimensional latente, como personalidade ou saúde.

Por outro lado a Religião tem sido caracterizada como um fenômeno social, definido por limites particulares como crença, prática de preceitos estipulados e congregação social.

Religiosidade, a extensão do envolvimento pela religião institucional, é um aspecto da espiritualidade do indivíduo. Esta distinção tem sido particularmente ressaltada. O Fetzer Institute, em colaboração com o National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism solicitou e financiou uma série de estudos científicos sobre alcoolismo e espiritualidade.

Um resultado de pesquisa particularmente importante é a relação inversa entre a religiosidade pessoal e o uso de álcool / droga e problemas associados. Adultos e adolescentes mais religiosos têm menos chance de fazer ou vir a fazer uso abusivo de álcool ou outras drogas e entrar em dependência.

Reciprocamente, americanos em tratamento para transtorno do uso de substâncias referem níveis de religiosidade e práticas espirituais muito baixas em relação à população geral do país, apresentando também níveis baixos quanto ao significado e propósitos de vida.

Atualmente sabe-se pouco sobre as mudanças que ocorrem especificamente na área da espiritualidade entre os pacientes no curso da recuperação. Os dados disponíveis sugerem um aumento do interesse e da prática espirituais enquanto diminui a dependência por substâncias. Não está claro se o

desenvolvimento espiritual precede, é a causa, resultado ou subproduto da diminuição do uso e dependência de substância.

Se o desenvolvimento espiritual pode promover a sobriedade e recuperação em dependentes, é natural que seja considerado como um tratamento suplementar.

Sobre os programas dos Doze Passos, a maioria dos pesquisadores tem focalizado o AA. Como no caso de envolvimento religioso, estudos consistentes indicaram uma relação entre a frequência em AA e abstinência, particularmente após o tratamento da dependência.

Uma aparente exceção a isso é sobre uma frágil manutenção da abstinência quando a frequência em AA foi imposta pela Justiça, pelo empregador, etc.

Um estudo mostrou que os resultados do tratamento não devem ser esperados pela simples frequência voluntária em AA, mas pelo grau de envolvimento do paciente nas atividades de AA e do seu trabalho com os Doze Passos. Os efeitos de práticas espirituais específicas sobre o uso de substâncias são menos conhecidos. O exercício da meditação tende a ser inversamente proporcional ao uso de álcool, tabaco e outras drogas de abuso, e a prática da meditação, em muitos trabalhos, mostrou reforço à abstinência após o tratamento. Em um trabalho randomizado com pacientes pós-tratamento, observou-se a não interferência da prece de terceiros sobre eles. Os efeitos especificamente relacionados à prece individual, como recomendada em AA, são desconhecidos. Como a religiosidade protege contra os problemas do uso de substâncias? Existem fortes evidências de que a religiosidade está associada com baixos níveis do uso de substâncias e que a religiosidade e a espiritualidade apresentam-se em níveis reduzidos nas pessoas com transtornos por uso de substâncias, porém, não está claro por que isso acontece.

Embora haja alguma evidência de que a religiosidade possa proteger as pessoas após o período de uso de substâncias, é igualmente possível que o uso de substâncias ou dependência possa levar a uma diminuição da espiritualidade. As diferenças entre as várias religiões (baixos índices de uso de substância em religiões que proscrevem tal uso) sugerem um efeito direto das normas e preceitos religiosos contra o uso de substâncias. Não são claros os efeitos em outras dimensões espirituais.

A espiritualidade no curso da recuperação

A mudança espiritual é a causa e o efeito da recuperação ou ela ocorre de forma casual?

Estudos longitudinais com estimativas multidimensionais de espiritualidade são necessários para determinar se as mudanças, particularmente as dimensões da

espiritualidade (crenças, valores, relacionamentos com Deus, relacionamento com a comunidade espiritual, experiências espirituais subjetivas, autotranscedência etc.) assumem um papel intrinsecamente causal na recuperação.

Qual é o potencial terapêutico das intervenções espirituais na prevenção e tratamento dos transtornos de uso de substâncias?

Apesar da potencialidade clínica quanto ao trabalho de mudanças espirituais, estudos científicos sobre as intervenções nesse sentido, com a notável exceção da literatura.

Considerando-se que a espiritualidade constitui um conjunto multidimensional, há possibilidade de múltiplas abordagens que poderiam ser desenvolvidas e testadas.

As estratégias para meditação constituiriam um bom exemplo de abordagem do assunto.

Movimentos ligados a religiões e política obtêm financiamento público. Uma terapia espiritualmente orientada possibilita uma aproximação do indivíduo à suas próprias crenças.

Quais as dimensões da espiritualidade que são fatores relevantes de proteção, fatores de risco, mediadores de mudanças e consequências da história natural e tratamento clínico da dependência?

A palavra "espiritualidade" deveria ser usada cautelosamente neste contexto uma vez que essa palavra tem significados diferentes para pessoas diferentes. Embora existam instrumentos de avaliação para as várias dimensões de espiritualidade, a maioria dos estudos relacionados usou avaliações simples de religiosidade e muito menos foram avaliados outros parâmetros da espiritualidade que não tivessem a haver com a crença ou com serviços religiosos. Os futuros estudos sobre os fatores espirituais nas dependências deveriam focar-se nas múltiplas dimensões da espiritualidade caracterizando os hipotéticos efeitos dentro das suas dimensões específicas.

Os trabalhos de pesquisa sobre a espiritualidade e dependência química estão em estágio inicial, com os recentes desenvolvimentos em metodologia. Evidências sustentam uma relação inversa entre o uso de substâncias com religiosidade ou certas práticas espirituais.

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Cocaína Dependência e nocividade

O uso abusivo de cocaína tem se constituído em um problema cada vez maior na sociedade. As complicações neuropsiquiátricas e cardiocirculatórias, bem como os transtornos sociais, econômicos e legais associados ao seu abuso fazem com que esse fenômeno necessite ser cada vez mais estudado.

A cocaína pode ser consumida por diversas vias: oral, intravenosa e respiratória (crack), sendo essa última a mais devastadora para o organismo. Por ser um psicoestimulante, com características de reforçador positivo, apresenta um grande potencial de abuso, levando à dependência.

O uso crônico de cocaína pode acarretar inúmeras complicações para o organismo do usuário, dentre estas se destacam problemas cardíacos (angina, arritmias), pulmonares, deficiências vitamínicas e convulsões.

Observam-se ainda complicações psiquiátricas como os transtornos mentais induzidos pela substância. Adicionalmente, podem ocorrer distúrbios neurológicos: acidentes vasculares cerebrais e medulares, isquemias, cefaleias, convulsões e desordens motoras como, por exemplo, tiques.

O impacto do uso de cocaína no sistema nervoso não deve ser minimizado, visto as consequências físicas, cognitivas, comportamentais e emocionais decorrentes. Dentre algumas funções estudadas pela neuropsicologia pode-se ressaltar a capacidade mnemônica, as funções atencionais e executivas. As funções executivas são atividades cognitivas superiores que ajudam a manter um arranjo mental apropriado para alcançar um objetivo futuro, necessitando do desempenho de processos de focalização atencional, inibição, gerenciamento de tarefas, planejamento e monitoramento na execução de um comportamento dirigido a objetivos.


As funções executivas incluem a capacidade de iniciar ações, planejar e prever meios de solucionar problemas, adiantar consequências e modificar estratégias de forma flexível. Aquelas funções relacionadas à aquisição, formação, consolidação, e recuperação de informações são os processos comuns à memória, enquanto a atenção pode ser brevemente definida como a capacidade de alocar recursos cognitivos focalizando determinado estímulo externo ou interno.

A dependência de cocaína pode levar a prejuízos na tomada de decisões - fator que contribui na manutenção da adição. Podem apresentar também prejuízos na capacidade não-verbal de resolução de problemas, memória espacial, nomeação de objetos e velocidade perceptomotora quando uso contínuo por um período de quatro anos (Hoff & colaboradores, 1996).


No tocante aos aspectos atencionais, sujeitos dependentes de cocaína comumente revelam um comprometimento na capacidade de reter informações e sustentar a atenção por um período prolongado de tempo, quando as tarefas exigem uma maior elaboração.

As funções executivas nesses sujeitos também se encontram prejudicadas: há dificuldades no processo de inibição de comportamento e na coordenação de informações armazenadas na memória.

Pacientes em abstinência que apresentam lapsos possuem uma menor capacidade inibitória bem como uma pobre capacidade em coordenar, armazenar e manipular informações. Um correlato neural desses prejuízos cognitivos pode ser o decréscimo no fluxo sanguíneo regional cerebral no giro frontal inferior.

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A INEXISTENCIA DE UMA POLÍTICA DE DROGAS QUE REALMENTE SAI DO DISCURSO

É cada vez maior o número de pessoas que se afundam e não conseguem voltar à superfície, movidas pelo transtorno, pelo engano de preferir, muito mais, a droga à própria vida.

Isso acontece em nosso país de forma crescente e até o momento não emergiu um plano eficaz do Estado brasileiro que tenha a ventura de proteger a sociedade e livrar do sofrimento as famílias atingidas pelo desastre das drogas. Parece incrível, décadas atrás o Brasil foi capaz de idealizar um programa de combate à AIDS, revestido de êxito, mas até agora, apesar do agravamento, nada que mereça respeito foi feito para enfrentar o tráfico de drogas e sua distribuição às pessoas.

Há pelo menos 70 anos entram no Brasil, produzidas no Paraguai, na Bolívia e na Colômbia, toneladas de maconha, cocaína e crack, sem que até o momento tenha sido idealizado um programa capaz de enfrentar esse câncer social, que antes corrompia os adultos, depois os jovens e agora alcança nossas crianças. Nesse quadro sombrio, é de assustar a conduta de nosso presidente da República, que vive alisando e passando a mão na cabeça do presidente da Bolívia, um confesso produtor de coca, da qual é elaborada a cocaína vendida no Brasil e que degrada o tecido social, corrompendo a vontade de milhares de pessoas. A importância econômica do Brasil e o destaque alcançado no continente permitiriam que o governo brasileiro se empenhasse num trabalho diplomático de eficácia junto aos países vizinhos para que houvesse um refreamento na produção de drogas.

Especialistas dizem que de nada adianta combater internamente a ação dos traficantes se nos territórios próximos à nossa fronteira a droga continua a ser produzida e a entrar impunemente. A ética no trágico mundo das drogas envolve a confiança de fornecer, fornecer, fornecer e cobrar só depois. Fornecer, todos sabem, significa criar a dependência química, aquela pela qual o organismo exige o produto acima de qualquer outra coisa. Esse inferno é proclamado publicamente a toda hora, mas a condenação não tem sido suficiente para afastar o aliciamento de novos viciados.

Desnecessário repetir que o prazer fugaz e enganoso proporcionado pela droga destrói vidas, famílias e necrosa gradativa e crescentemente a nossa sociedade.

É incrível que isso continue a acontecer tendo como aliados o silêncio cúmplice e a indiferença de governantes, os quais, por sorte, não são eternos. O pior é que nesse quadro sombrio e desanimador surgem a toda hora, lamentavelmente, como estímulos à disseminação das drogas, vozes bastante lúgubres, anunciando, por exemplo, que a maconha não é danosa ao organismo humano.

São afirmações que servem apenas para exprimir a inteligência dos que as produzem. Cientistas britânicos comprovaram cientificamente que o uso de maconha conduz a uma psicose de cura dificílima.

Essas pesquisas demonstraram que entre dez pessoas, sendo três delas viciadas em maconha, a maneira de ver a vida é diversa: os sete não usuários veem-na de uma forma e os três viciados de forma completamente diferente.

São como se esses três viciados fossem seres fora do ninho, desajustados diante do mundo em que vivem. Permissíveis ao extremo passam a aceitar qualquer degradação moral com naturalidade e vão afundando na areia movediça, primeiros os pés, depois as pernas, o corpo e finalmente a propriamente vida. A maconha talvez seja a mais danosa de todas as drogas, porque representa o início do plano inclinado na vida dos que a experimentam.

Cada vez que vejo, nos jornais e na televisão, a escalada criminosa decorrente das drogas, fico pensando: meu Deus, será que só eu estou enxergando isso? É claro que não, há uma infinidade de pessoas preocupadas e prontas para agir em conjunto, mas falta à ação programada que somente um governo de caráter terá o poder de desencadear.

Enquanto isso não vem, é necessário que cada um de nós, que nos sentimos humilhados e diminuídos por essa degradação, junte esforços para cobrar, para exigir mais atenção e mais coragem.

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ESTUDO COMPROVA SUBSTIMAÇÃO DOS RISCOS LIGADOS AO USO DA MACONHA

A Cannabis (Maconha) é uma das substâncias psicoativas mais estudadas e difundidas em todo o mundo. Atualmente temos nos deparados com muitos debates, audiências públicas, manifestações coletivas, passeatas em prol da liberação e/ou do uso terapêutico. Nunca antes a maconha esteve tão difundida e debatida, quanto nos dias atuais.

A principal alegação utilizada pelos grupos são seus benefícios para diversas doenças, entre elas a esquizofrenia, o que já foi comprovado cientificamente o contrário. Como proposta dos grupos, resulta o pedido da liberação das drogas, acabando seu tráfico.

Mas a Fundação Britânica do Pulmão (British Lung Foundation) foi além e decidiu realizar um levantamento com 1000 adultos para saber a opinião das pessoas a respeito da droga. Os resultados foram bastante surpreendentes. Das 1000 pessoas participantes, um terço acredita, erroneamente, que a maconha não prejudica a saúde. Destes, 88% pensam que os cigarros de tabaco seriam mais prejudiciais do que os de maconha. Um cigarro da droga equivale igualmente aos riscos de um maço de cigarros.

88% dos adultos pensam que os cigarros de tabaco seriam mais prejudiciais do que os de maconha – quanto um cigarro da droga equivale igualmente aos riscos de um maço de cigarros.

Segundo o artigo “O Pseudo Uso Terapêutico da Maconha”, do Terapeuta Jose

Norberto Fiuza (especialista em dependência química, Diretor da Clínica Terapêutica Fiuza em Brasília e da Unidade Ambulatorial do Grupo Viva em Goiânia), divulgado aqui em nossa página, existe e comprovação cientifica que afirmam que a dependência em maconha é uma doença. “No CID (Código Internacional de Doenças) o cannabismo ou o uso de maconha, é classificado como ‘Transtorno Mental e de Comportamento’ e é considerada uma doença com sintomatologias orgânicas, emocionais, psíquicas e comportamentais graves”.

Em novo relatório divulgado pela British Lung Foundation ainda diz que há ligações científicas entre fumar maconha e a ocorrência de tuberculose, bronquite aguda e câncer de pulmão. Além disso, o uso de cannabis tem sido associado ao aumento de possibilidade de o usuário desenvolver problemas de saúde mental, como a esquizofrenia.

Parte da razão disto é que as pessoas, ao fuma maconha fazem inalações mais profundas e mantêm a fumaça por mais tempo do que quando fumam um cigarro de tabaco. Cada cigarro de maconha aumenta a chance de desenvolver câncer de pulmão é equivalente aos riscos de quem fuma um pacote inteiro de 20 cigarros de tabaco, adverte a BLF (British Lung Foundation).

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O ABUSO DE DROGAS GERA TRANSTORNOS NO MINIMO EM MAIS NOVE PESSOAS


PESQUISA TRAÇA O PERFIL SÓCIO-DEMOGRÁFICO DE FAMILIARES DE USUÁRIOS DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS EM SÃO PAULO..

Os motivos que levaram os pesquisadores a estudar a família foram vários, entre eles, a inexistência de dados estatísticos no Brasil, o fato destas famílias serem parte de grupo de risco para problemas de saúde, por viverem impactos semelhantes aos vividos por familiares com doenças terminais e para avaliar os fatores de risco de proteção que a família representa.

Nas famílias pesquisadas, 77% eram mulheres. A classe social dominante, com 48%, foi a B, e a idade dos entrevistados, na maioria ficou, entre 45 e 54 anos (36%), acompanhada pela faixa etária entre 55 e 64 anos (28%).

Quarenta e um por cento dos entrevistados descobriu o uso porque o comportamento do usuário mudou, enquanto que 30% descobriram, pois ele estava usando em casa. Entre os frequentadores com até 30 anos, a busca por ajuda demorou após a descoberta cerca de 1,7 anos.

Já os com mais de 30 anos levaram cerca de 4,7 anos para procurar ajuda. O motivo da demora foi justificado por 30% dos entrevistados pelo fato de não saber qual ajuda buscar. Vinte e quatro por cento achou que poderia resolver sozinho e 17% pensou que fosse passageiro.

Entre as maiores dificuldades para o tratamento ficou a resistência do dependente em aceitar o tratamento (52%), os comportamento inadequados da família (11%), como negação, distância, falta de apoio, divergências de opinião entre pai e mãe, decisão de internar ou não.

Dez por cento dos entrevistados afirmou que a dificuldade foi a situação financeira e 6%, a falta de informação. O número médio de pessoas afetadas pelo consumo de álcool e drogas pelo dependente químico é 9,94. Se a média de moradores por domicílio é de 3,35 pessoas, a pesquisa mostra que o número de pessoas afetadas extrapola a família nuclear.

Setenta e dois por cento dos usuários destas famílias foram internados, 95% deles quando a droga de uso era o crack. Em média foram internados 2,7 vezes. Quando houve internação, a maioria foi em Comunidade Terapêutica (64%) e, nestes casos, a própria família pagou o tratamento (76%). Para os que buscaram tratamento, o mais eficiente (37,7%) foi o encontrado no Amor-Exigente, nos Grupos de Apoio em Geral e na religião.

Na sequência, os entrevistados citaram a internação (33,3%) e os profissionais de saúde – psiquiatras, psicólogos, terapeutas (7,6%).

Entre os principais sentimentos em relação ao problema estão a tristeza (28%), a impotência (27%), a dor e a angústia (7%). Entre as ações para aliviar o sofrimento, aparece em primeiro lugar a busca pelo psicólogo e pelo grupo de ajuda (34%), seguidos pela busca da religião (29%). Entre os parentes entrevistados, a maioria eram mães (68%), seguidas das esposas (11%). Noventa e dois por cento dos dependentes eram homens entre 25 e 34 anos (43%), seguidos dos jovens entre 18 a 24 anos (31%). A pesquisa foi coordenada pela UNIFESP/ UNIAD.

 

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O PSEUDO USO MEDICINAL DA MACONHA


UMA RESPOSTA CIENTIFICA E EFETIVA PARA UMA NECESSIDADE INEXISTENTE, QUE SÓ ATENDE OS QUE DEFENDEM O "PSEUDO USO MEDICINAL DA MACONHA" !!

Talvez esta notícia não agrade as pessoas que se prevalecem do “pseudo uso medicinal” da maconha para defender a sua legalização.A TikunOlam, uma plantação de maconha medicinal aprovada pelo governo de Israel, localizada no norte do país, desenvolveu uma nova variedade de cannabis que contém uma concentração muito baixa de (THC),que é o princípio ativo que entorpece os usuários.

A nova variedade, denominada Avidekel, oferece os mesmos benefícios, mas não altera o estado mental do usuário, já que contém menos de 1% de THC - contra 23% da variedade mais popular da TikunOlam.Embora o THC seja o mais popular entre os mais de 60 canabinoides encontrados na maconha, um dos mais importantes é o canabidiol (CBD), conhecido por suas propriedades antiinflamatórias.

Além da baixa dosagem de THC, a concentração de CBD do Avidekel é de 16%, aliviando a dor sem “alterar o estado de consciência” do usuário.Afinal, a maioria dos técnicos, estudiosos, políticos e defensores do uso medicinal da Maconha estão defendendo a suas propriedades medicinais.

Com certeza, eles não vão se importar se não ficarem sem o efeito psicoativo da Maconha.Com esta substância o entorpecimento inexistiria como um dos efeitos colaterais, que sob o ponto da saúde, seria indesejado.

Entre as maiores dificuldades para o tratamento ficou a resistência do dependente em aceitar o tratamento (52%), os comportamento inadequados da família (11%), como negação, distância, falta de apoio, divergências de opinião entre pai e mãe, decisão de internar ou não.

A TikunOlam pesquisa variedades de canábis ricas em CBD desde 2009, e desenvolveu o Avidekel há seis meses.Raphael Mechoulam, professor de química medicinal da Universidade Hebraica de Jerusalém, declarou à Reuters que o Avidekel é uma variedade única.

 

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É PARTE DA CURA O DESEJO DE SER CURADO.



"É válido procurarmos conhecer a que má e penosa servidão nos sujeitamos quando nos abandonamos ao poder alternado dos prazeres e das dores, estes dois amos tão caprichosos quanto tirânicos".

 

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AS FASES E OS EFEITOS DO ALCOOL NO ORGANISMO



O álcool é uma droga socialmente aceita, o que facilita a sua aquisição e o uso indiscriminado em qualquer classe faixa etária da população. Só é visto como um problema, quando é utilizado de forma exacerbada. Os efeitos causados pelo álcool incluem diferentes fases.

Os danos fisiológicos causados por uma intoxicação aguda pelo álcool podem ser reversíveis, mas a lentidão e a perda de consciência podem causar graves sequelas, essas sim com complicações permanentes.

Existem três principais riscos decorrentes do consumo excessivo de álcool: a perda dos reflexos, favorecendo acidentes; a aspiração do vômito, que acontece durante o período de inconsciência; e o quadro de depressão respiratória, ou seja, a diminuição ou cessação da respiração.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 58% da população adulta abstiveram-se do consumo de bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses. Que tal aumentar ainda mais esses números? O primeiro passo é entender que até mesmo um dia de porre afeta o funcionamento do seu organismo.



Estágio 1: enquanto você ainda está sóbrio As moléculas de álcool são pequenas e solúveis. Isso significa que elas chegam muito rapidamente a todos os nossos tecidos, principalmente ao fígado, órgão responsável por 90% da metabolização do álcool, que é então transformado em acetaldeído.

Essa substância é a responsável pelos efeitos danosos associados ao consumo de álcool. E, mesmo enquanto você está sóbrio, ela já está se acumulando no seu organismo e deteriorando sua saúde.

Os sintomas da ressaca, como as dores de cabeça, a pressão arterial elevada e a taquicardia, são causados pelo excesso dessa substância no organismo.



Estágio 2: Euforia

À medida que você continua a beber, a quantidade de acetaldeído presente no seu corpo continua a se acumular. Em consequência, a dopamina - um neurotransmissor relacionado à sensação de bem-estar - atinge níveis cada vez mais altos.

A dopamina age na via cerebral da recompensa e promove a sensação de euforia, felicidade, característica do consumo excessivo do álcool. No entanto, essa sensação é relativa e que nem todas as pessoas experimentam as mesmas sensações.

Estágio 3: Instabilidade emocional, depressão do Sistema Nervoso Central

Se você continuar bebendo, a sensação de euforia logo dará lugar a outra emoção. Começa a ser sentido o efeito de outro neurotransmissor, responsável por estimular o sistema GABA (ácido gama-aminobutírico), principal inibitório do Sistema Nervoso Central.

Ocorre então uma competição entre a dopamina e o sistema Gama, que acaba ganhando a disputa e deprimindo as atividades cerebrais. Em consequência, a ansiedade é diminuída e a sensação de sono aumenta.

O grande problema está na desestabilização do sistema cerebral. O funcionamento cerebral anormal resultará em alterações do comportamento, afinal, o controle do sistema racional não está eficiente.

Estágio 4: Prejuízo do julgamento e da crítica

A perda da racionalidade acaba por comprometer a capacidade de julgamento. O tempo de resposta aos estímulos físicos, visuais e auditivos aumenta muito, todos os reflexos e pensamentos estão alterados.

Além de aumentar o risco para acidentes, um dos maiores perigos decorrentes do consumo abusivo de bebidas alcoólicas, o indivíduo também se coloca em risco ao fazer escolhas que não faria se estivesse sóbrio.

Incluem-se nessa lista: colocar-se em situações vexatórias, correr riscos e consumir bebidas alheias e até mesmo drogas ilícitas.



Estágio 5: Sonolência e adormecimento

Nesse momento, um cuidado é essencial: certifique-se de que a pessoa intoxicada durma de lado, evitando a aspiração do próprio vômito, que pode ir até as vias aéreas, dificultando ou impedindo a respiração.

Levar a pessoa embriagada ao hospital ou pronto-atendimento é a melhor opção caso o cuidador fique inseguro, mas que a glicose, frequentemente administrada nesses casos, só ajuda a resolver o problema quando há uma hipoglicemia associada.

A glicose não ajudará a diminuir a intoxicação por álcool, o único remédio nesse caso, é repouso e hidratação do corpo - seja com água, água de coco, refrigerantes ou até café.



Estágio 6: Inércia generalizada

Nesse estágio, o indivíduo já não consegue atender aos comandos e as respostas aos estímulos externos estão comprometidas. Andar é praticamente impossível e pode haver até incontinência urinária e fecal.

Os riscos de coma alcoólico são altos nessa fase. O ideal é procurar ajuda profissional em um hospital, já que a saúde está correndo perigo e ser mantido sob observação é muito importante.



Estágio 7: Coma alcoólico

O coma alcoólico acontece em resposta à depressão do Sistema Nervoso Central, que é cada vez maior à medida que se consome a bebida alcoólica.

O cérebro - responsável por mandar estímulos às estruturas responsáveis pela respiração, como pulmão e diafragma, principalmente -, deprimido pela bebida alcoólica, pode deixar de enviar esses impulsos, levando à parada respiratória. Os danos desse extremismo, em alguns casos, podem ser irreversíveis, levando a pessoa à morte.

 

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O Tratamento de Usuários de Substâncias e a Enauseante Máfia Branca

Enquanto muitos profissionais e Instituições de tratamento de usuários de substância trabalham com competência, ética e humanidade, existe um imenso número de "Pseudo Clínicas", que se prevalecem da dor e do sofrimento de pacientes e familiares para praticar seu mercantilismo canibal e sua desleal concorrência, ludibriando e extorquindo as famílias brasileiras, com sites e propostas terapêuticas tão autênticos como uma nota de três reais.

Trabalho a trinta anos neste seguimento e me deparo, cada vez mais, com Instituições mercenárias, aéticas, desprovidas de qualquer sentimento de humanidade.

Elas tem sites muito bem elaborados, com propostas e soluções mágicas, oferecendo serviços, profissionais, estruturas e intervenções mentirosas e ineficazes.

Seus entendimentos, experiência, intervenção e serviços são ultrapassados a décadas e outros que nunca existiram. Porém, todas elas tem uma enfermidade em comum : " O desrespeito e a desumanidade para com a dor e o desespero de famílias sofridas, desgastadas e desestruturadas que convivem com esta questão tão nociva e desassistida, que é a de ter um dependente químico dentro de seus lares.

É a Máfia Branca, que em nome do tratamento, dilapida seus e pacientes, por vezes mais que o próprio traficante e trata seus pacientes, para que se reinternem o quanto antes.

Eles não tem nenhum tipo de compromisso como a normatizações técnicas, com a ética e com o a humanidade. Seus compromissos são com o seu Movimento de Caixa, onde os seus "pseudo pacientes" são estatísticas de faturamento e metas financeiras do departamento comercial.

É vergonhoso viver em um país, que possui milhões de famílias desesperadas e desestruturadas pelo abuso de drogas, no qual o Governo demagogo, para angariar voto dos incultos, traz um discurso de tratamento que não alcança cinco por cento desta população necessitada.

Um Governo que sequer entende o que é o processo de tratamento de um dependente químico e o que preconizam os órgão internacionais (OMS) para uma política e uma intervenção mais efetiva.

E, entre tantos podres frutos desta inexistente política de drogas, nasce e cresce a Máfia Branca.

É necessário extirpar de nosso meio estas Instituições Iatrogênicas.

José Norberto Fiuza